Resonance


November, December, 2015
Silo, Espaço Cultural
Matosinhos
Exhibition text

"Podemos considerar que neste trabalho o artista apresenta o seu atelier como um palco, onde não só o vemos atuar, como também percebemos ser através desse espaço que o pintor se posiciona para olhar o mundo ou reflectir sobre ele. Somos desde logo convocados ao desconforto/curiosidade de um voyeur, que sem ser visto ou percebido, desvenda a intimidade: de um contexto (o do surgimento da obra de arte); de uma prática (a prática da pintura); e de uma personalidade (a do artista).

Desta forma estes trabalhos de Leonel Cunha estabelecem também uma tensão entre a verdade e a ficção, que se problematiza tanto na construção da pintura, como no próprio acto de pintar. Quando parece que a intenção do artista é a de descortinar a intimidade do seu atelier, explicando que não existe nada na pintura para além do simples exercício de pintar, deparamo-nos a cada olhar com uma nova leitura de significado, que se multiplica através da possibilidade de conjugação dos elementos dispostos no espaço. Quando nos é sugerido estarmos diante de uma desarrumação ocasional de um local de trabalho, percebemos na composição das imagens e pela repetição de elementos, tratar-se afinal de um espaço cénico, onde toda a desarrumação não passa de uma premeditada afirmação formal, conceptual e compositiva."*

*Nuno Malheiro Sarmento